Despertar do Farol

Fabrício Fernandes exalta o Farol de Itapuã e o talentoso Heloy Júnior


A primeira vez que ouvi falar da onda do Farol de Itapuã foi em 1987, quando fiz a minha primeira Blue Marlin.

Papanel (shaper desta marca) tinha uma casa em frente ao pico e me disse que ali quebrava uma onda muito power. Olhei para o local sem colocar fé. Onze anos se passaram e, em 8 de junho 1998, um swell bem grande chegou à costa de Salvador e vi uma foto de Spirro em uma esquerda gigante no Farol.

Mais onze anos (seria coincidência?) se passaram e nesse meio tempo ouvia histórias cabulosas do pico e sempre cético desdenhava do que ouvia. Amigos como Flavão da Pedra do Sal falavam de drops e tubos insanos de Rato, da atitude de Abubakir no pico e tantas histórias mais.

Até que, na última segunda feira, 28 de setembro de 2009, depois de pegar umas ondas muito grandes no Aleluia, fui para ver se o Farol era mesmo tudo que falavam...

Palavras não poderiam descrever o que presenciei naquele momento. Uma onda de 2,5 metros chupando tudo em uma bolha imensa e Heloy Júnior dropando agarrado em um grab rail animal e fazendo um tubaço de backside, que, sem exagero, lembrava o chato do John Gomes no Pipe Master de 97. Fiquei chocado, extasiado!

Por mais que eu fale do power, da formação da onda, da difícil entrada pelo pequeno canal de frente para o pico ou pela Musa; do drop insano, das pedra bem na cara do surfista. Por mais que eu fale tudo isso, é impossível quem nunca esteve lá ter a noção do que é a onda.

Outra coisa que me deixou impressionado foi o nível de surf apresentado por caras como Mandinho, Pitanga, Boy, Abubakir (com 50 anos!) e outros.  Tirando Mandinho, campeão do mundial WQS em 2000, os outros não eram atletas do mundo, mas, que sem exagero, entubavam no mesmo nível.

Armando Daltro já havia me falado que surfar o Farol com 2,5 metros era o mesmo que surfar Pipe com 2. Não tenho dúvidas de que ele está correto!

O Havaizinho (nome da mítica onda do Farol e que faz jus a esse apelido) fica em uma ponta bem externa de Salvador, e que por isso recebe com muita força ondulações de Sul e Sudeste (melhor se for de Sul). 

Está posicionado em uma área que poderia ser facilmente chamada de mini North Shore, com ondas de todos os tipos, distribuídas em bancadas de corais e pedras. A longa esquerda da Pedra que Ronca, a direita da Musa, o Paraíso, White House, Munga, Sítio e Rocky Point. Ondas para todos os gostos que tive o privilégio de conhecer com meu grande amigo Flavão.

Mas, nenhuma de todas essas ondas tem o power, a beleza, a plasticidade, o fascínio do Havaizinho. E essa onda tem escrita nela um nome, que é o seu domador, e esse nome é o gigante chamado Heloy Júnior!

A forma com que esse cara surfa essa onda, como citei antes, lembra Boy Gomes em Pipe! É algo muito bonito de se ver.

Confesso que esse dia no Farol me fez ver que duas coisas não eram mito. A onda em si, e o talento fenomenal de Heloy, que também por muito tempo havia apenas ouvido falar e não levava muita fé.

Mas, como não levar fé em um cara que fez um drop impossível em Teahupoo que nem o rei (Slater) acreditava que ele iria completar e por isso desceu na sua frente?

Heloy Júnior é o nome baiano quando o mar cresce e fica tubular. O que me revolta e não entendo é:  Por que não existe um patrocinador bancando esse cara para correr o mundo?

Aposto minhas fichas que ele faria tanto sucesso quanto Bruno Santos! Alguém duvida?  Amanhã é esperado um grande swell que fará o Farol acordar. E tudo indica que o segundo campeonato Maurício Abubakir de ondas grandes vai acontecer.

Para sanar essa dúvida basta apenas sentar por algum tempo na areia e ver o garoto botar para baixo. Eu com certeza vou ficar horas assistindo. Depois de ter surfado o velho Aleluia, é claro!

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