Violência exagerada
Fabrício Fernandes desabafa ao comentar excesso de violência em Salvador
Por: Fabrício Fernandes
Sábado, seis da manhã. Joaquim deixava sua amiga em casa, no Petromar, Stella Maris, quando chegaram uns indivíduos e deram voz de assalto, mas não satisfeitos dispararam contra ele e um dos tiros acertou suas nádegas, perfurando bexiga e intestinos.
Joaquim (irmão da minha ex-mulher) é tio do meu filho e um cara muito gente boa. Conheci ele garotinho. Sempre alegre e muito amigo das pessoas, nunca vi fazer mal a alguém ou mesmo estar envolvido em nenhuma confusão. Hoje, com vinte e poucos anos, é psicólogo e ajuda muita gente.
Neste exato momento em que escrevo essas linhas ele está na UTI de um hospital, mas graças a Deus se recuperando, sendo mais uma vitima desse sistema violento e cruel que continuamos a alimentar em nosso país.
Conversava com mais três amigos no mar no domingo e constatamos que todos os quatros já fomos vítimas de sequestros relâmpagos e tivemos armas apontadas para cabeça e nossos carros roubados. Mas, o caso de Joaquim foi muito, muito mais grave...
Fico pensando que quando eu era garoto ficava na rua até altas horas, ou mesmo parava com o carro na orla para ouvir som e ver a lua nascer, e hoje tenho que andar com medo em todos os lugares que vou. Esse é o mundo em que meu filho vai crescer?
Como acabar com toda essa loucura para que pais, amigos e irmãos dos Joaquins não precisem passar por isso?
O que ouço é que devemos aniquilar as pessoas que fizeram isso. Mas será que vai mesmo resolver?
Vamos acabar aniquilando então quem não cumpre as leis; quem mata, quem rouba, quem destroi?
Por que, em vez disso, não aniquilamos a falta de amor, o ódio, a corrupção, o desemprego?
Por que não criamos um país sério e exigimos dos governantes condições de vida para que não existam parias sociais que saiam atirando, estuprando e matando?
Quando fui sequestrado me sentia um nada, sabia que minha vida poderia acabar naquele momento e uma das coisas que um dos três caras me disse nunca saiu da minha cabeça. Ele disse que só estavam me sequestrando para andar em um carrão como o meu (carrão? Um Fiesta antigo que nem ar tinha) porque nunca teriam um. Aquilo me fez pensar...
Realmente nossa sociedade tem pessoas cheias de ódio, predadores que causam pânico, mas somos nós que os criamos, quando abandonamos crianças nas sinaleiras, quando privamos pessoas de terem um lar, de estudar, ou simplesmente de um sorriso que não nos custa nada.
Somos nós que somos coniventes quando os dirigentes desviam a verba que era para proporcionar dignidade ao povo e não miséria.
Por que será que Canadá, Noruega e Dinamarca não têm a mesma guerra civil do Brasil?
Nada dessa filosofia vai diminuir o sofrimento da família de Joaquim, apenas escrevo para que possamos refletir que algo precisa ser feito, e, é claro, pedir às pessoas que vibrem por ele para que possa se recuperar o mais rápido possível.
Força, meu velho, você e sua família vão sair dessa. Um abraço e que Deus proteja você bem de perto.
Joaquim (irmão da minha ex-mulher) é tio do meu filho e um cara muito gente boa. Conheci ele garotinho. Sempre alegre e muito amigo das pessoas, nunca vi fazer mal a alguém ou mesmo estar envolvido em nenhuma confusão. Hoje, com vinte e poucos anos, é psicólogo e ajuda muita gente.
Neste exato momento em que escrevo essas linhas ele está na UTI de um hospital, mas graças a Deus se recuperando, sendo mais uma vitima desse sistema violento e cruel que continuamos a alimentar em nosso país.
Conversava com mais três amigos no mar no domingo e constatamos que todos os quatros já fomos vítimas de sequestros relâmpagos e tivemos armas apontadas para cabeça e nossos carros roubados. Mas, o caso de Joaquim foi muito, muito mais grave...
Fico pensando que quando eu era garoto ficava na rua até altas horas, ou mesmo parava com o carro na orla para ouvir som e ver a lua nascer, e hoje tenho que andar com medo em todos os lugares que vou. Esse é o mundo em que meu filho vai crescer?
Como acabar com toda essa loucura para que pais, amigos e irmãos dos Joaquins não precisem passar por isso?
O que ouço é que devemos aniquilar as pessoas que fizeram isso. Mas será que vai mesmo resolver?
Vamos acabar aniquilando então quem não cumpre as leis; quem mata, quem rouba, quem destroi?
Por que, em vez disso, não aniquilamos a falta de amor, o ódio, a corrupção, o desemprego?
Por que não criamos um país sério e exigimos dos governantes condições de vida para que não existam parias sociais que saiam atirando, estuprando e matando?
Quando fui sequestrado me sentia um nada, sabia que minha vida poderia acabar naquele momento e uma das coisas que um dos três caras me disse nunca saiu da minha cabeça. Ele disse que só estavam me sequestrando para andar em um carrão como o meu (carrão? Um Fiesta antigo que nem ar tinha) porque nunca teriam um. Aquilo me fez pensar...
Realmente nossa sociedade tem pessoas cheias de ódio, predadores que causam pânico, mas somos nós que os criamos, quando abandonamos crianças nas sinaleiras, quando privamos pessoas de terem um lar, de estudar, ou simplesmente de um sorriso que não nos custa nada.
Somos nós que somos coniventes quando os dirigentes desviam a verba que era para proporcionar dignidade ao povo e não miséria.
Por que será que Canadá, Noruega e Dinamarca não têm a mesma guerra civil do Brasil?
Nada dessa filosofia vai diminuir o sofrimento da família de Joaquim, apenas escrevo para que possamos refletir que algo precisa ser feito, e, é claro, pedir às pessoas que vibrem por ele para que possa se recuperar o mais rápido possível.
Força, meu velho, você e sua família vão sair dessa. Um abraço e que Deus proteja você bem de perto.
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