E se você voltasse, como seria?
Fabrício Fernandes homenageia Márcio Adachi, falecido há uma década
Por: Fabrício Fernandes
No final dos anos 80 pouco se pensava ou se executava o surf explosivo e radical. Tirando alguns destaques, a coisa era bem conservadora.
Marcio Adachi, um baiano, descendente de japonês, tinha um surf progressivo e uma adiantada bem rápida.
Sempre que eu ia à praia do Sesc, quando estava começando a surfar, via Dachinho destruindo as ondas. Ficava impressionado, porque o cara era muito veloz e passava umas seções bem difíceis, mandando batidas, cut backs muito rápidos e alguns aéreos.
Conheci Dachinho no restaurante Mastig do meu amigo (e legend, grand kahuna!) Xiloi. Todos os dias eu ia comer o rango natural da Mastig por ser ao lado da loja da minha mãe e o Dachinho estava sempre lá falando dos campeonatos e dos projetos para o futuro. Eu ficava amarradão de estar ali ouvindo aquelas histórias e aprendendo um pouco mais daquele esporte que eu estava apenas começando.
Dachinho, junto com seu irmão Takito, influenciou muito o surf na Bahia. Ganhou vários campeonatos e sempre estava nas cabeças. Sabia comportar-se na água, respeitando os outros, e mostrava serviço com o seu surf progressivo.
No ano de 1989, percebendo que no Brasil, principalmente na Bahia, o surf não teria como lhe proporcionar nenhum futuro, resolveu agarrar a oportunidade de ir ao Japão trabalhar e disputar campeonatos de surf.
Com seu talento nato, logo nos primeiros campeonatos, ele e Takito estavam mandando os japas para casa mais cedo e assumindo o topo do ranking.
Participou da seletiva para virar profissional no mesmo ano, e no ano seguinte já figurava em 27º. Em 91 ficou em 17º e a partir daí figurou entre os 12, chegando a 3º em 98. Em 99 competiu apenas em um evento, chegando ao vice-campeonato.
Márcio Adachi tinha uma carreira promissora no surf, seus resultados mostravam isso. Era um garoto de boa índole e muito gente fina. Infelizmente, no dia 21 de maio de 1999, perto de fazer 30 anos (em agosto era seu aniversário) teve a sua vida finalizada por um acidente automobilistico nas highways japonesas.
Lembro-me da frase de Fangio, campeão mundial de Fórmula-1: "Até 80 quilômetros por hora o homem controla a máquina, acima disso a máquina controla o homem".
Infelizmente a máquina não foi suficiente para salvar Dachinho, e aqui, a milhares de quilômetros de distância, recebi como um choque a notícia do falecimento desse grande cara.
No Japão ele recebeu diversas homenagens, inclusive saindo várias fotos suas na famosa revista Barfout. Takito continua surfando muito (esse é um outro texto) e com uma linha muito bonita joga água em direção aos céus, talvez tentando alcançar as bênçãos do seu mano!
No dia 21 de maio fez exatamente dez anos que a Bahia sente a perda de Dachinho. Mas espero que Takito e Dona Rita, mãe dele, apesar da dor da distância, possam ver nesse texto uma boa lembrança de um ser humano tão querido que hoje, com certeza, está amparado por Deus, surfando outras ondas.
Quem sabe um dia, quando chegar a minha vez de partir, possamos fazer algumas trips juntos e você me mostrar as perfeitas ondas de Deus?
Aloha, Márcio Adachi, que você esteja em paz!
Marcio Adachi, um baiano, descendente de japonês, tinha um surf progressivo e uma adiantada bem rápida.
Sempre que eu ia à praia do Sesc, quando estava começando a surfar, via Dachinho destruindo as ondas. Ficava impressionado, porque o cara era muito veloz e passava umas seções bem difíceis, mandando batidas, cut backs muito rápidos e alguns aéreos.
Conheci Dachinho no restaurante Mastig do meu amigo (e legend, grand kahuna!) Xiloi. Todos os dias eu ia comer o rango natural da Mastig por ser ao lado da loja da minha mãe e o Dachinho estava sempre lá falando dos campeonatos e dos projetos para o futuro. Eu ficava amarradão de estar ali ouvindo aquelas histórias e aprendendo um pouco mais daquele esporte que eu estava apenas começando.
Dachinho, junto com seu irmão Takito, influenciou muito o surf na Bahia. Ganhou vários campeonatos e sempre estava nas cabeças. Sabia comportar-se na água, respeitando os outros, e mostrava serviço com o seu surf progressivo.
No ano de 1989, percebendo que no Brasil, principalmente na Bahia, o surf não teria como lhe proporcionar nenhum futuro, resolveu agarrar a oportunidade de ir ao Japão trabalhar e disputar campeonatos de surf.
Com seu talento nato, logo nos primeiros campeonatos, ele e Takito estavam mandando os japas para casa mais cedo e assumindo o topo do ranking.
Participou da seletiva para virar profissional no mesmo ano, e no ano seguinte já figurava em 27º. Em 91 ficou em 17º e a partir daí figurou entre os 12, chegando a 3º em 98. Em 99 competiu apenas em um evento, chegando ao vice-campeonato.
Márcio Adachi tinha uma carreira promissora no surf, seus resultados mostravam isso. Era um garoto de boa índole e muito gente fina. Infelizmente, no dia 21 de maio de 1999, perto de fazer 30 anos (em agosto era seu aniversário) teve a sua vida finalizada por um acidente automobilistico nas highways japonesas.
Lembro-me da frase de Fangio, campeão mundial de Fórmula-1: "Até 80 quilômetros por hora o homem controla a máquina, acima disso a máquina controla o homem".
Infelizmente a máquina não foi suficiente para salvar Dachinho, e aqui, a milhares de quilômetros de distância, recebi como um choque a notícia do falecimento desse grande cara.
No Japão ele recebeu diversas homenagens, inclusive saindo várias fotos suas na famosa revista Barfout. Takito continua surfando muito (esse é um outro texto) e com uma linha muito bonita joga água em direção aos céus, talvez tentando alcançar as bênçãos do seu mano!
No dia 21 de maio fez exatamente dez anos que a Bahia sente a perda de Dachinho. Mas espero que Takito e Dona Rita, mãe dele, apesar da dor da distância, possam ver nesse texto uma boa lembrança de um ser humano tão querido que hoje, com certeza, está amparado por Deus, surfando outras ondas.
Quem sabe um dia, quando chegar a minha vez de partir, possamos fazer algumas trips juntos e você me mostrar as perfeitas ondas de Deus?
Aloha, Márcio Adachi, que você esteja em paz!
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