Impressões de um terceiro mundista

Fábio Tihara cita experiência de surfista brazuca na Nova Zelândia


Há duas semanas estou na Nova Zelândia. Antes de embarcar, minhas únicas  referências sobre esse país eram a de que foram os neozelandeses que inventaram o buggy jump e um dado da ONU (Organização das Nações Unidas) que diz que a Nova Zelândia é um dos países mais seguros do mundo.

Clique aqui para ver as fotos

Estranho pensar em um país onde não acontece nada de ruim. Na minha mente é uma relação parecida com a que tenho com o Canadá, que eu não conheço e nem pretendo conhecer.

Tenho medo dessas cidades perfeitas com cidadãos educados e simpáticos. Tanta perfeição parece esconder mentes obscenas e pensamentos impuros. Paranóia minha talvez, não tenho culpa, nasci no Brasil, onde a ordem é uma desordem.

Mas, aqui estou eu para alguns meses estudando inglês e também atiçando o meu faro jornalístico. Minha primeira semana foi em Auckland, que é uma cidade grande e moderna.

Muitos imigrantes, principalmente orientais (chineses, coreanos e japoneses) se misturam ao povo local (Maoris e Kiwis). O povo Maori tem o costume de se tatuar, por isso não é difícil ver homens com o rosto tatuado, e o mais interessante ainda é ver que tatuagens não são empecilhos para com a sociedade, já que existem até policiais com o braço todo riscado.
 
Mas eu estava curioso mesmo era para ver o mar e as ondas. Fui com alguns amigos brasileiros conhecer um pico chamado Kare Kare, um beach break nos arredores de Auckland. Era final de tarde e batia um forte e gelado vento, desencorajando meu desejo de surfar e ainda sofrendo com os efeitos do jet-lag (fadiga de longa viagem) causado pelo longo vôo.

Dois dias depois fomos conferir um pico na região de Whangamatha. Um lugar lindo entre montanhas e poucas casas por perto. O mar era convidativo, 2 metros de ondas, água cristalina e congelante, vento off shore (terral), formando tubos perfeitos.

Nada mau para uma primeira queda. Foram boas ondas surfadas e o melhor: sem crowd. Depois de Auckland, parti rumo à cidade de Hamilton, que fica perto da famosa onda de Raglan (cerca de 40km), onde estou hospedado na casa de um amigo chamado George, que mora por aqui há cinco anos e que conhece muito bem a esquerda tubular de Raglan.

Monitoramos o swell pela internet e vimos que estaria bom para o fim de semana. Dois metros com algumas séries maiores e um forte vento soprando. Fomos conferir, pois segundo George, Raglan quebra todo dia e com qualquer condição de ondulação.

O caminho para Raglan é uma estradinha estreita e com muitas curvas, mas nem consegui prestar muita atenção pois estava muito adrenalizado para surfar. Dizem que essa esquerda só perde para Chicama (Peru) em extensão, porém é extremamente rápida e tubular.

Do alto do penhasco avistei as linhas entrando perfeitas. O pico tem cinco seções: High Indicators, Indicators, Low Indicators, Whales e a última seção chamada Manu Bay.

Logo que encostamos o carro deu pra ver Manu Bay quebrando com boas ondas de 1 metro um pouco mexidas pelo forte vento, mas proporcionando muitas manobras. O melhor de Raglan é Indicators, uma onda rápida e tubular, porém nesse dia não estava quebrando, por isso optamos por Manu Bay.

Mesmo não estando tão bom era muito melhor do que alguns dias bons no Brasil. Deu pra pegar algumas ondas, apesar do crowd, e foi bom para começar a se acostumar com o wetsuit (roupa de borracha) que é indispensável por aqui. Com a aproximação do inverno, as ondulações ficam maiores e mais constantes, e como o país é banhado por dois oceanos (Pacífico e o mar da Tasmânia) é possível surfar boas ondas nos dois lados do continente.

Realmente o frio e a água são inconvenientes, mas uma boa roupa de borracha e muita disposição são o que importa para se pegar boas ondas por aqui. Estou registrando tudo por aqui e em breve postarei mais fotos e vídeos para a galera do SurfBahia.

Queria fazer um agradecimento especial aos amigos brasileiros aqui da NZ (Augusto, George, Arari, Lucas, Rato e Diego), um abraço saudoso para minha família (minha mãe Toshico, meu irmão Dennis, minha namorada Marília e para toda família Hull), a equipe SurfBahia (The Boss Ader Oliveira e meu amigo João Carlos) e para todos os internautas.

Enjoy!

PUBLICIDADE

Relacionadas

Alexandre Piza comenta postura da sociedade em relação às orientações do isolamento social nas praias de Salvador

Luciano Nunes relembra histórias do passado ao lembrar de surfistas das antigas de Salvador

Nosso colunista Lalo Giudice exalta a vitória de Italo Ferreira no Pipe Masters e a sua conquista do mundial

Nosso colunista Lalo Giudice analisa as chances dos candidatos ao título na última etapa do Circuito Mundial em Pipeline

Nosso colunista Lalo Giudice comenta a vitória de Italo Ferreira e a polêmica envolvendo Gabriel Medina e Caio Ibelli em Peniche

Nosso colunista Lalo Giudice comenta a vitória de Jeremy Flores na França e a ponta do ranking de Gabriel Medina

Nosso colunista Lalo Giudice analisa a vitória esmagadora de Gabriel Medina no Surf Ranch

Nosso colunista Lalo Giudice analisa a expectativa para a etapa nas ondas da piscina no Surf Ranch