Fatos e argumentos
Fábio Tihara comenta conturbada relação entre surfistas e policiais
Por: Fabio Tihara
Fui leitor assíduo da revista Fluir por 11 anos, mas há um ano parei de comprar a publicação por não concordar com sua linha editorial.
O fato de ter mais pessoas em casa que surfam e, principalmente, a minha profissão, me levam a uma leitura esporádica da revista e foi uma dessas leituras que me motivou este texto.
Na edição de junho, mais precisamente na seção de cartas, li um desabafo de um policial civil sobre a coluna do Alberto Adler na edição de abril. A coluna tratava dos prós e contras de se levar as pranchas no rack. Entre os “contras”, o colunista diz que pranchas em cima do carro atraem os olhos da polícia e que não adianta os documentos estarem em dia - você fatalmente terá que deixar um dinheiro para os homens de farda.
Na carta, um exaltado policial civil (leitor da revista há 20 anos e policial há 13) se diz revoltado, cansado do estereótipo do policial corrupto e dispara contra surfistas, advogados, empresários, funcionários públicos e qualquer outra pessoa que “sobe o morro para comprar maconha, cocaína e outras drogas”, dizendo que o dinheiro das drogas vira armamento para os traficantes. Ele encerra suas palavras chamando os surfistas de “cabeças de parafina”.
Não gosto de generalizar, mas vamos aos fatos: em primeiro lugar, meu colega Alberto Adler não escreveu nenhuma mentira. E isso não é difícil de constatar, pois eu conheço muitos surfistas que já deixaram dinheiro na mão de algum policial.
Seja em Salvador (Stella Maris, estacionamento de Aleluia e Linha Verde), rodovia Ilhéus-Itacaré ou a já lendária “dura de Saquarema”, a abordagem é sempre a mesma. É nítido o olhar minucioso e o tratamento diferenciado com surfistas e suas pranchas.
Mesmo com documentos devidamente em ordem e carro em perfeito estado, os homens da lei fuçam qualquer coisa para garantir um extra. Evito falar em drogas, porque esse é um assunto que gera muitas controvérsias e cada pessoa tem a sua opinião e o seu ponto de vista, mas uma coisa que não suporto ver é hipocrisia.
Quer falar de drogas? Pois vamos falar de drogas. Surfista não é traficante, assim como usuário não pode ser tratado como quem trafica. Somos regidos por uma lei antiga e defasada que trata usuários de drogas como bandido. Já pensou se todos os usuários fossem para a cadeia por causa de um baseado?
Agora, pior do que isso é esse discurso elitista demagogo de que as drogas financiam o tráfico, papo de ex-presidente sociólogo e professor da Sorbonne (apelido da antiga Universidade de Paris). Por acaso, os traficantes compram armas na loja? Creio que não... E quem busca informação além do planeta Rede Globo e revista Veja, sabe que a polícia lucra com o tráfico.
Quero acreditar que essa carta tenha sido um comentário infeliz de um cara desiludido com uma profissão estressante, mal remunerada, mal preparada e mal vista por parte da população e, se ele deu-se ao trabalho de mandar uma carta para uma revista de surf, é porque deve ter um envolvimento mínimo com o esporte.
Criticar os surfistas pelo estereótipo negativo da policia é ignorância. Corrupção é um problema sério, mas se fosse só isso... Ou será que terei que recordar de tragédias como a chacina na Baixada Fluminense em 2005 (29 mortos), o ataque a ativistas rurais em Eldorado dos Carajás, as crianças assassinadas na escadaria da Candelária em 2003, a chacina em Vigário Geral, massacre no Carandiru e agora, no caso mais recente, do menino João Roberto, de 3 anos, que foi morto com tiros disparados pela polícia contra o carro em que o menino se encontrava junto com sua mãe?
Creio que seja por coisas desse tipo e outras tantas que vemos na mídia, que a polícia brasileira seja vista com maus olhos. Os surfistas, usuários ou não, representam uma parcela ínfima em relação aos abusos e atrocidades cometidos pelas pessoas que deveriam nos dar segurança e que infelizmente nos deixam com medo e inseguros em nosso cotidiano.
O fato de ter mais pessoas em casa que surfam e, principalmente, a minha profissão, me levam a uma leitura esporádica da revista e foi uma dessas leituras que me motivou este texto.
Na edição de junho, mais precisamente na seção de cartas, li um desabafo de um policial civil sobre a coluna do Alberto Adler na edição de abril. A coluna tratava dos prós e contras de se levar as pranchas no rack. Entre os “contras”, o colunista diz que pranchas em cima do carro atraem os olhos da polícia e que não adianta os documentos estarem em dia - você fatalmente terá que deixar um dinheiro para os homens de farda.
Na carta, um exaltado policial civil (leitor da revista há 20 anos e policial há 13) se diz revoltado, cansado do estereótipo do policial corrupto e dispara contra surfistas, advogados, empresários, funcionários públicos e qualquer outra pessoa que “sobe o morro para comprar maconha, cocaína e outras drogas”, dizendo que o dinheiro das drogas vira armamento para os traficantes. Ele encerra suas palavras chamando os surfistas de “cabeças de parafina”.
Não gosto de generalizar, mas vamos aos fatos: em primeiro lugar, meu colega Alberto Adler não escreveu nenhuma mentira. E isso não é difícil de constatar, pois eu conheço muitos surfistas que já deixaram dinheiro na mão de algum policial.
Seja em Salvador (Stella Maris, estacionamento de Aleluia e Linha Verde), rodovia Ilhéus-Itacaré ou a já lendária “dura de Saquarema”, a abordagem é sempre a mesma. É nítido o olhar minucioso e o tratamento diferenciado com surfistas e suas pranchas.
Mesmo com documentos devidamente em ordem e carro em perfeito estado, os homens da lei fuçam qualquer coisa para garantir um extra. Evito falar em drogas, porque esse é um assunto que gera muitas controvérsias e cada pessoa tem a sua opinião e o seu ponto de vista, mas uma coisa que não suporto ver é hipocrisia.
Quer falar de drogas? Pois vamos falar de drogas. Surfista não é traficante, assim como usuário não pode ser tratado como quem trafica. Somos regidos por uma lei antiga e defasada que trata usuários de drogas como bandido. Já pensou se todos os usuários fossem para a cadeia por causa de um baseado?
Agora, pior do que isso é esse discurso elitista demagogo de que as drogas financiam o tráfico, papo de ex-presidente sociólogo e professor da Sorbonne (apelido da antiga Universidade de Paris). Por acaso, os traficantes compram armas na loja? Creio que não... E quem busca informação além do planeta Rede Globo e revista Veja, sabe que a polícia lucra com o tráfico.
Quero acreditar que essa carta tenha sido um comentário infeliz de um cara desiludido com uma profissão estressante, mal remunerada, mal preparada e mal vista por parte da população e, se ele deu-se ao trabalho de mandar uma carta para uma revista de surf, é porque deve ter um envolvimento mínimo com o esporte.
Criticar os surfistas pelo estereótipo negativo da policia é ignorância. Corrupção é um problema sério, mas se fosse só isso... Ou será que terei que recordar de tragédias como a chacina na Baixada Fluminense em 2005 (29 mortos), o ataque a ativistas rurais em Eldorado dos Carajás, as crianças assassinadas na escadaria da Candelária em 2003, a chacina em Vigário Geral, massacre no Carandiru e agora, no caso mais recente, do menino João Roberto, de 3 anos, que foi morto com tiros disparados pela polícia contra o carro em que o menino se encontrava junto com sua mãe?
Creio que seja por coisas desse tipo e outras tantas que vemos na mídia, que a polícia brasileira seja vista com maus olhos. Os surfistas, usuários ou não, representam uma parcela ínfima em relação aos abusos e atrocidades cometidos pelas pessoas que deveriam nos dar segurança e que infelizmente nos deixam com medo e inseguros em nosso cotidiano.
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