Porto da discórdia

Fábio Tihara questiona construção do porto no litoral norte de Ilhéus


O anúncio da construção de um novo porto na cidade de Ilhéus tem gerado muita discussão e vem tirando o sono de muitas pessoas.

Na verdade, trata-se de um grande complexo que envolve um porto internacional, um retro-porto (apoio em terra para caminhões, armazéns, galpões e depósitos), um aeroporto internacional e uma ferrovia, tudo isso ocupando uma área de 1,771 mil hectares e dentro de uma área de proteção ambiental (APA), mais precisamente na região da Ponta da Tulha, entre a APA Lagoa Encantada e o Parque Estadual da Serra do Conduru (APA Itacaré / Serra Grande).

A área escolhida para o mega empreendimento é conhecida por abrigar a maior biodiversidade do planeta. Os responsáveis pela obra afirmam que tudo será feito de maneira responsável e respeitando o ecossistema da região. Porém, nenhum estudo foi apresentado à população para comprovar tais intenções.

Evidentemente, não é preciso ser nenhum especialista para saber que uma obra desse porte causará um enorme impacto ambiental e prejudicará uma região que tem o eco turismo como ponto forte. De início, esse novo porto atenderá ao escoamento de minério de ferro das reservas de Caetité, algo em torno de 25 milhões de toneladas por ano, e o governo pretende investir R$ 4 bilhões nesse massacre ambiental.

Ilhéus já teve uma experiência desastrosa há tempos com a ampliação do atual porto da cidade. Por falta de estudos apropriados, essa ampliação interferiu brutalmente nas marés das praias. Principalmente os moradores das praias do Norte, que viram o mar levar dezenas de casas, sofrem constantemente com o avanço da maré e até hoje não tiveram uma solução por parte do governo e das autoridades competentes.

Existem muitos pontos obscuros em torno da construção do novo porto, como os critérios para a escolha do local e a falta de informações por parte dos responsáveis, pois o assunto não foi discutido com a comunidade local (associações, ONG´s, prefeituras, UESC, Ceplac, etc.).

É vergonhoso a questão ambiental não ser levada em conta numa decisão como essa. Fica nítido que o divulgado “progresso” vem camuflado de interesses sórdidos e capitalistas. Estamos falando de resquícios da Mata Atlântica que, além de seu valor como reserva biológica, faz parte do patrimônio histórico e cultural do Brasil e precisa ser respeitada como tal e não como meio de exploração e especulação imobiliária, industrial e outras barbaridades.

É preciso organizar a sociedade civil, moradores da região e autoridades para cobrar um estudo mais detalhado sobre o impacto dessa obra e um esclarecimento maior e transparente em relação aos objetivos desse projeto megalomaníaco.

O progresso é necessário, mas o preço cobrado nesse caso vai ser muito alto. Como disse Gandhi, “a Terra pode oferecer o suficiente para satisfazer as necessidades de todos os homens, mas não a ganância de todos os homens”.


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