Qual a prancha certa?

Fabrício Fernandes fala da importância dos equipamentos utilizados pelos surfistas


Passo andando pela praia com a minha 5 e 8 larga, de bordas grossas, rabeta swallow, e vejo muita gente comentando, e alguns até torcendo o nariz, acostumados com o design das pranchas maiores, bem mais finas, cheias de curvas e rabeta round pin.

Ora, mas qual é a prancha certa? Vários fatores precisam ser analisados, e aí percebo que muitas pessoas enganam-se por completo. Inclusive, não são poucos os profissionais que surfam com pranchas extremamente inadequadas.

Pô, o Kelly arrebentou em Pipe com aquela prancha fininha, round pin. O Andy ganhou em Teahupoo (pelo amor de Deus, leia-se Chôpo!) com o mesmo modelo. Aí, passo pela praia e vejo vários moleques com modelos exatamente iguais. Mas, na real, quantas ondas temos iguais a Pipeline e Teahupoo no Brasil? E quantos Andies e Kellies também?

A prancha tem que ser adequada ao seu nível e estilo de surf, e principalmente ao tipo de onda que você vai surfar. Como em Salvador, que só produz ondas de vento, eu vou surfar com pranchas round pin e finas?

O ideal são realmente as fishies menores e mais largas. Ou ninguém percebeu o estilo das pranchas que o Kelly está usando para merrecas, como as que rolaram na final em que ele acabou com “The Fire”, em plena casa dele, na Gold Coast?

Vi também o Fabinho, nesta temporada, optar por surfar com uma 6 e 4 fish quadriquilha em Sunset muito grande e, enquanto a maioria tinha extrema dificuldade em executar manobras, o Fia parecia surfar a sua Baía Formosa totalmente à vontade, soltinho nas valas de 10 pés plus!

Claro que aqui temos alguns fundos de pedras como Scar Reef, Catinguiba, Farol de Itapuã e diversos picos espalhados pelo Brasil como Cacimba do Padre, Píer da Barra, Guaratiba, Geribá, Maresias, Paúba e outros, mas, em sua maioria, temos ondas cheias, fracas e curtas, que necessitam uma abordagem diferente.

Com certeza uma rabeta round vai te proporcionar uma linha boa e arcos mais bonitos. Uma borda mais fina e maior curvatura do bico vão proporcionar maior segurança e um surf mais no pocket da onda. Mas, quem precisa disso para surfar no Titanzinho, Maracaípe, Jaguaribe, Macumba e Praia Grande de Ubatuba?
 
Não quero aqui dizer que a fish é a solução mágica para todos, mesmo porque temos estilos diferentes. Sei que no meu caso para as merrecas e com um nível de surf com certeza abaixo da média dos profissionais, ela me deixa soltinho e com a possibilidade muito maior de mandar batidas e rasgadas mais no pocket das minhas infelizes ondas de vento.

Já quando o mar passa dos 5 pés, a minha 6 e 4 round squash entra em ação. Acima dos 8 pés (caso raríssimo em Salvador), utilizo a 6 e 6 round pin mais estreita, para ter mais segurança nos drops.
As quilhas também influenciam bastante. Se o posicionamento for mais para o meio e a quilha mais aberta, a prancha fica mais solta, se for mais para trás e mais fechada, ela fica mais presa.

Os diversos modelos de quilhas e tamanhos vão, com certeza, fazer a diferença no surf, por isso minha preferência é sempre por quilhas removíveis. Além de facilitar nas viagens, quando troco as quilhas fico com pranchas completamente diferentes.

Portanto, se você não quer ser pego de surpresa com os diferentes tipos e tamanhos de ondas e não disponibiliza de tanta grana para ter um quíver como o do Mineirinho, procure ter no mínimo duas pranchas - uma para as merrecas e uma para as ondas um pouco maiores.

Uns três jogos de quilhas como K-Fin, G-5 e G-7 (rígidas, nada de quilhas de plástico) e cordinhas nunca são demais. Tenho sempre em mãos três - uma fina de competição, uma média de 6 pés e uma tipo Waimea de 9 a 12 pés para não ficar desesperado quando a maior do dia quebrar bem na minha cabeça.

E, para finalizar, uma boa parafina faz toda a diferença. Já tentou surfar com parafina de água quente quando passa aquela corrente fria no meio da Barra? Vai escorregar que nem quiabo!

Procure conversar com seu shaper, esclarecer suas dificuldades, boa sorte nas ondas, na vida e lembre-se sempre: educação na água é a melhor política para uma boa convivência.
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