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Victor Kruschewsky cobra mais atitude aos bodyboarders


É isso, galera. Prazer enorme ter este espaço aqui no Surfbahia e poder falar muita coisa que se passa no cenário do bodyboarding.

No artigo de lançamento, falei do histórico do bodyboarding e questionei a falta de compromisso e profissionalismo no esporte.

Começamos 2008 cheio de esperança e expectativa de mudanças. Os campeões de diversos estados exibem, com orgulho, o mérito de ser campeão, mas sequer têm regalias por tal feito.

Ficam aí, na torcida pelo apoio de algum empresário. Os órgãos responsáveis, por sua vez, não fazem nada. Fecham os olhos e preferem “tapar o sol com a peneira”. Os atletas não reagem e fica um cenário estático. Mesmo assim, não paramos de ganhar títulos.

E pensando nisso, chego ao simples fato de que os competidores são os maiores prejudicados em quase tudo no bodyboarding, principalmente premiação e mídia. É fundamental que haja a transmissão via internet dos grandes eventos e também uma clara veiculação da premiação do evento e demais informações nos releases.

Como um atleta buscará apoio sem um calendário ou alguma referência do circuito? E se as datas coincidirem com as datas de outros eventos, as instituições são interligadas e um dos eventos não rola? Os atletas, por sua vez, reivindicam alguma coisa?

Já estamos em fevereiro e não ouvimos falar do calendário do circuito baiano e do circuito brasileiro. Aliás, todo ano é assim, nada é concreto. E ninguém, por parte dos atletas, fala nada. Por que isso?

A Associação dos Tênis Profissional (ATP) já existe - se não me engano - há 70 anos, e a Associação de Surf Profissional (ASP) já existe há quase 30. Tudo bem que o bodyboarding seja novo, mas em 30 anos de história não temos uma entidade que represente verdadeiramente os atletas profissionais de bodyboarding.

Temos um tricampeão brasileiro e atual vice-campeão mundial, Uri Valadão, e os campeões nacionais amadores Renê Xavier, Tatiane Menezes, David Borges, Fábio Pinheiro, Bernardo Puertas, entre outros, caso não tenha citado. Só aí vão nove títulos nacionais, mais o Nordestino 2007 com o profissional Júnior Silva.

Temos que ter mais força e aqui na Bahia cobrar da Federação pelo menos um esclarecimento ou provas de que eles estão indo em busca de apoio, em vez de aceitar evento feito pela Federação numa tenda minúscula, com todo mundo se embolando com o crowd e taxas de inscrição entre R$ 35 e R$ 60.

Numa capital com milhões de habitantes e circulação financeira entre as cinco mais movimentadas do Brasil, não é tão normal que não se consiga uma boa premiação. Sem falar que o calendário tinha previsto 10 etapas e até agora só três do circuito pro e quatro etapas do circuito amador. Não to culpando ninguém, só estou falando para ninguém ficar criando lindas histórias com vários capítulos e não concretizar metade dessas histórias.

Fiquem atentos, valorizem seu esporte e valorizem a si mesmos, pois somos heptacampeões mundiais e temos um dom ameaçado por somente uma modalidade aquática, o iatismo, que tem sete ou oito títulos mundiais e tenta chegar perto dos mais de 15 títulos mundiais se a gente somar com o Feminino.

A você, bodyboarder profissional, tenha orgulho de ser bodyboarder brasileiro e solte a voz onde puder, nas reuniões, no bate-papo, sempre dizendo o que é certo e o que acha bom para a classe dos profissionais de bodyboarding. Só assim ninguém dirá que você não tem fundamentos.

É isso, galera, espero que tenha ajudado com este papo e fico esperando o calendário deste ano! Continuo a minha reflexão... O que falta para o bodyboarding chegar no lugar que merece?

Breve falaremos do Mundial em Pipeline, que será no fim deste mês, e do esperado Mundial em Santa Catarina! Boas ondas e muita paz pra todos!
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