Eterna rivalidade

Fábio Tihara satiriza rivalidade entre surfistas de Salvador e Ilhéus


Sempre existiu um clima de rivalidade entre os surfistas de Salvador e os de Ilhéus. Volta e meia me pego em discussões acaloradas, debates intermináveis, copos e mais copos de cerveja e nenhuma conclusão.

Ainda de ressaca, comecei a pensar sobre o assunto. A primeira questão é o tipo de rivalidade. Não é algo extremo como um Brasil x Argentina (graças a Deus!). Vejo o embate como uma briga de egos. A pergunta é simples: qual a melhor cidade, Salvador ou Ilhéus? Vamos esquecer o social, o cultural, a questão econômica e vamos tratar do surf somente.

Comecei a pegar onda em Ilhéus (onde tenho casa), morei em Salvador por um tempo e atualmente estou fora do Estado, mas costumo ir para ambas as cidades freqüentemente. Esse pequeno histórico é necessário para que fique clara minha imparcialidade nos fatos. Bom, vamos a eles.
 
As duas cidades possuem excelentes ondas. De um lado temos Stella Maris, Aleluia e Barravento, do outro temos praia do Norte, Miache e Praia do Sul. No quesito quantidade de ondas, a capital leva vantagem devido à extensão de sua orla e sua diversidade de picos. Existem ondas mágicas como Espanhol, Farol da Barra e Farol de Itapuã, mas Ilhéus não fica para trás e bota na roda Havaizinho, Catedral e Backdoor.
 
Nesse quesito o que devemos considerar é o fator constância. Com isso chego à conclusão de que temos um empate técnico, pois esses picos podem até dar uma brincadeira no ano, mas “clássico” mesmo são poucos dias.

Um soteropolitano levanta a voz e esbraveja: “Salvador tem a Linha Verde!!!” Ok, não esqueci (como poderia?) de Papa Gente, Scar Reef, Itacimirim, Busca Vida, entre outros surf spots, mas antes que alguns comemorem, gostaria de lembrar que até Itacaré também é Linha Verde, por isso apresento para a briga Tiririca, Prainha, Engenhoca, Jeribucaçu e outras mais. Devo admitir que, em condições clássicas, não da para comparar... Um brinde a Salvador!

Em se tratando de ondas grandes, mais um ponto para Salvador, mas isso é facilmente explicado, já que a capital possui picos que suportam grandes ondulações como Farol de Itapuã e Farol da Barra, enquanto Ilhéus geralmente fecha com mais de 2 metros.

Antes de dar o veredicto final, é preciso lembrar dois aspectos importantes. Como é típico numa cidade grande e globalizada, os surfistas de Salvador sofrem com o caótico e estressante trânsito de carros. Reflexo do mundo moderno, pode-se gastar duas horas da Barra até Aleluia em certos horários.

E ainda se deparar com um crowd insuportável (nem vou comentar no fim de semana!). Ilhéus desse mal não sofre. Clima de interior, trânsito tranqüilo e é possível surfar sozinho qualquer dia da semana!

Depois de tantos pros e contras, vejo que a conclusão está longe de ser encontrada e o debate ainda vai render muita conversa. Cada lugar tem seu valor, o mais importante é respeitar as opiniões e aproveitar o que as cidades oferecem de melhor: as ondas!     
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