Atletas x surfistas

Técnico Gabriel Macedo fala da diferença entre atletas e surfistas


Uma coisa que me chama a atenção até hoje são os surfistas talentosos, aqueles que nascem com o dom supremo do surf, que aprendem tudo rápido e fazem qualquer manobra parecer ser fácil.

São surfistas natos, de alma, mas a maioria não se dedica o suficiente quando vai para o lado do surf competição. É fácil citar nomes de surfistas talentosos que se perderam com o tempo, grande promessas que não seguiram adiante quando o assunto foi competição.

Arrebentam no dia-a-dia, promovem verdadeiros espetáculos na água, mas a diferença está aí. Temos que diferenciar surfistas de atletas do surf (costumo chamar assim os surfistas que adotaram as competições e levam como um trabalho).

Se analisarmos dessa forma, fica mais fácil diferenciá-los. Seguindo exemplos de outros esportes, o nosso ainda é muito amador em termos de treinamentos. Não estou falando de ir para a água e ficar pegando onda durante seis horas por dia; falo de treinamento mesmo, parte técnica, tática, nutricional e física. Poucos surfistas se predispõem a esses treinamentos, que não têm nada de maravilhoso, comparado ao surf diário sem compromisso.

Tenho atletas de vários níveis de surf e treinamento, e hoje costumo dizer que não quero treinar surfistas e sim atletas, porque pela minha experiência, sei que é perda de tempo. A concorrência aumenta cada vez mais e, se não nos dedicarmos por completo, ficaremos para trás.

E o grande problema está aí: colocar na cabeça desse surfista talentoso que ele precisa treinar. Geralmente acha que não precisa passar por todo esse esforço, porque é tudo fácil, pois ele arrebenta e se adapta a qualquer condição.

Mas aí vem aquele atleta que não é muito talentoso - contudo é mais dedicado, treina forte, estuda as táticas e técnicas - e normalmente supera o talentoso, frustrando o adversário. Então, o ideal seria que se esse talento tivesse a dedicação e aplicação de um atleta. Com certeza ele não teria concorrência, Mr. Slater é o grande exemplo disso.

A Bahia tem muito talento a ser lapidado. Sei que falta patrocínio para a maioria, mas comece a mudança por si mesmo, não espere nada cair do céu, corra atrás, treine suas principais dificuldades, leia bastante, estude e fique longe das drogas. 

Escrever nunca foi meu forte. Gosto mais de me expressar falando do que escrevendo, mas já chego ao segundo texto na minha coluna do Surfbahia. Estou tentando me superar e agradeço a todos pela compreensão e o tempo para ler os textos. Boas ondas e até a próxima!
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