Instrumento de mudança

Victor Kruschewsky abre o jogo na estreia da coluna Soul BB


O bodyboarder Victor Kruschewsky é o novo colunista do portal Surfbahia. Formado em Jornalismo, competidor há mais de 10 anos e vice-presidente da Associação Ilheense de Bodyboarding, Victor estréia a coluna Soul BB disposto a fomentar a divulgação do esporte no maior portal do surf baiano.

Em sua primeira participação como colunista do Surfbahia, Kruschewsky não foge da raia e abre o jogo ao comentar a situação do bodyboarding na Bahia e no Brasil.

É isso, galera. Muito bom pode ter este espaço para conversarmos a respeito do nosso esporte sete vezes campeão do mundo! Isso mesmo...

Para quem não sabe, o bodyboarding nasceu de um surfista chamado Tom Morey, o criador das morey boogies, que quebrou sua prancha ao meio e, ao sair da água, percebeu que poderia desenvolver um novo estilo de surf.
 
Ele foi para a Califórnia, aprimorou a fabricação das pranchas e no final da década de 70 o bodyboarding começou sua evolução - na época, as morey boogies.

Esse nome ficou por muito tempo devido ao grande sucesso da marca e, até hoje, vemos pessoas falando “você pega onda de morey?”. Rsrsrsrs!!! É bodyboarding!!! (bodyboarder = quem pratica e bodyboard = a prancha)

Com o passar do tempo, a evolução do bodyboarding foi vista nas praias do mundo, com o aumento dos praticantes. A evolução das manobras tornou o bodyboarding um espetáculo lindo de se ver, com manobras aéreas e de “borda”.

Plasticidade, explosão, impacto e vôos impressionam qualquer leigo no assunto, e nós, bodyboarders brasileiros, temos muito orgulho de representar bem nossa pátria, estado e cidade. O bodyboarding canarinho tem esse dom no sangue, e não duvide que aquele moleque que você viu ali um dia se torne um campeão brasileiro e, quem sabe, mundial.

Na Bahia, temos profissionais como o vice-campeão mundial de 2007, Uri Valadão, que vem numa excelente fase em sua carreira, com uma performance esmagadora na última etapa do Mundial, em El Confital, Ilhas Canárias, frente ao atual campeão mundial, o australiano Ben Player, que levou uma combination de 18 e lá vai. É o baiano voador respondendo dentro d’água, com resultados, a quem duvida do nosso esporte.

Sem falar em Israel Salas e Júnior Silva, dois monstros que quebram tudo também. Salas, que é campeão baiano de 2006, ficou em terceiro no circuito brasileiro 2007 e foi vice-campeão do Circuito Baiano 2007, se é que o Baiano acabou, não é?

Júnior Silva é campeão nordestino 2007 e top 10 nas temporadas 2006 e 2007 do Brasileiro, além de vice-campeão capixaba 2007, circuito que é um dos mais competitivos do País.

O catarinense Luís Villar foi campeão latino-americano, arrebentando o ano todo, e mereceu demais esse título. Villar tem muita disposição em qualquer condição, muita raça e técnica de competição. Dá-lhe, Faraó.

Não dá para listar o nome de talentos que se deram bem porque é muita gente!! Graças a Deus e à competência dos nossos atletas, estamos somando cada vez mais títulos!

David Borges foi campeão brasileiro júnior com sobras. Está surfando muito o moleque! Renê Xavier vem evoluindo muito, foi campeão brasileiro amador e promete muito como profissional. Nossa musa Tatiane Menezes teve um ano mágico, sagrando-se tricampeã baiana e campeã brasileira amadora. Parabéns a todos vocês!! Talento nato!

No Feminino, a nível mundial, a capixaba Neymara Carvalho passou o rodo em 2007 e faturou três títulos dos sonhos: campeã mundial, latino-americana e brasileira!! Neymáquina! Quer mais o quê, mulherada do surf? Ficar botando marra por aí?? Rsrsrsr!! To zuando.

Só que sofremos com a falta de apoio. Nomes como Pablo Rodrigo, Roberto Bruno, Zé Otávio e o próprio heptacampeão do mundo Guilherme Tâmega já não agüentam mais sentir isso na pele. Cada um vive sua vida e não dá prioridade ao circuito mundial. Tâmega chega a afirmar, em seu blog na internet, que nunca obteve o apoio necessário do nosso país, tanto é que mora no Havaí com a família.

E aí vamos chegando ao ponto crucial... Será que a CBRASB, as federações e demais entidades, além dos atletas, estão na mesma sintonia? Será que há um relacionamento claro por parte deles? Até pouco tempo, qualquer um virava profissional de bodyboarding. Não temos um critério de seleção dos melhores do país. Fatos como o do Brasileiro de 2006 mostram o patético cenário em que o bodyboarding se encontra.

Três campeões da categoria Amador foram anunciados na última etapa, mas como pode isso? Não pode, no Brasileiro pode tudo. E o atleta que foi anunciado como campeão e depois soube que não foi?

Isso mostra a falta de respeito que as entidades têm e o despreparo de grande parte dos profissionais que estão ligados às mesmas. Então, o que falta é competência, profissionalismo e menos ganância. Pergunta a CBRASB quanto foi dado ao campeão do Latino na etapa do Espírito Santo, se foi aquilo dito no release mesmo.  

Pergunta a Federação Baiana de Bodyboarding como foi o Circuito Baiano de 2007. TENDA DE ACARAJÉ! Valadão merece isso? Salas? Silva? Os amadores? Mais de uma década que fazem evento e os competidores se degladiavam com os free surfers no meio da competição... PATÉTICO.

Estamos num mundo de cobras e não sabemos o que é a verdade. Quem é o responsável pela imprensa da CBRASB? Tem site? Quem fiscaliza as confederações? E as federações? Mesmo o circuito nacional sendo vencido pela Bahia, não quis dizer muita coisa na terra onde o devasso, as festas e a cultura fútil ganham de goleada.

Bahia (Amador Masculino, Feminino e Júnior) 3 x 2 Espírito Santo (Pro Masculino e Feminino). Assim foi o Brasileiro deste último ano. Mas tem ranking? Onde? Tem premiação de ranking?? Ahhhh ta!!

É isso, galera, começo com um pequeno desabafo e falo da situação em que o bodyboarding se encontra. Vamos nos unir, fundar ligas, associações e veículos de mídia competentes que não sejam como os sites de “fundos de quintal” que temos de sofrer, com suas raras exceções.

Enfim, muitas ondas a todos, sanidade, paciência e jamais desistam do sonho de ver o bodyboarding no lugar que ele merece! Paz, plenitude e ondas!

Aloha!

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