De Barcelona às Maldivas

Baiano Marcelo Magalhães e amigos saem da Europa rumo às Maldivas


Desde que mudei para Barcelona, surfar tem sido sempre uma mistura de logística com feriados, pedidos de folga combinados com o swell e disponibilidade de carro para ir. E já descontente com essa situação, comecei a planejar minha viagem dos sonhos com outro amigo que vive na Europa. Fissurados que somos, o planejamento não demorou dois dias e já tínhamos comprado os voos e a hospedagem para o paraíso das Maldivas.

Maldivas é uma viagem que, vivendo no Brasil, é necessário muito planejamento financeiro para ir. O voo é caro, a hospedagem é cara, e essa é uma das vantagens de estar morando na Europa: tudo se torna mais barato e compatível, pois ganhamos em euros e estamos mais perto (voos mais baratos).

Iniciamos o treinamento ao qual eu chamei de “treinamento de fora d’água“, e esperamos ansiosamente para a ondulação da semana da viagem ficar disponível nos sites de previsões. Enquanto isso, fomos acompanhando as ondulações que chegavam, mas eu nunca me interessava em olhar fotos e vídeos, pois sempre eram como “1 metro, 10 segundos“ ou “0.8m 12 segundos”. Até que um dia comecei a seguir algumas páginas locais das Maldivas, e vi uma onda enorme com a legenda “On fire today”. Corri para ver o que o site de previsão informava, e lá dizia “0.9, 12 segundos”. Logo perguntei a João, que já esteve na Maldivas e estava indo outra vez comigo: Não é possível... Como essa ondulação tão pequena pode ter 3 metros de frente? E ele me disse: Amigo, esqueça tamanho, foque no período. Nas Maldivas é assim.

Maroleiro que sou (risos), comecei a ficar preocupado. Duas pranchas 5’8 no quiver, somente um leash, pranchas ainda com parafina de água fria e só dois jogos de quilha. E então a tão esperada semana ficou disponível no site de previsão, e para nossa felicidade e/ou desespero, marcava 2 segundos a mais de período e meio metro maior do que a foto que eu havia visto, e só baixava no último dia da viagem... para ficar igual ao dia da foto (que já tinha dado caruara só de olhar!)

Por um momento achei que a viagem seria frustrada. Bastante dinheiro investido para não ter surf suficiente. É complicado chegar em um pico em que nunca surfei, sem surfar há quase 2 meses, e encontrar ondas grandes de cara. Diante essa situação, meu amigo Caio Neves me disse: “Relaxe, grande e perfeito é de boa, difícil é beach break com 10km de remada e 32 arrebentações“. E João, já adrenalizado, mandando 100 fotos por segundo do que já rolava por lá com a chegada do swell, me dizia: “Relaxe, depois da primeira vaca tudo fica tranquilo”.

Finalmente chegamos nas Maldivas, mas minhas pranchas não. Viriam no voo da tarde (já era uma desculpa para puxar o bico). Pegamos o barco que nos levou até a ilha de Thulusdhoo, onde se encontra a onda de Cokes e o surf camp onde ficamos hospedado. Durante o caminho a Cokes, passamos por quase todas as ondas do norte de Maldivas, e as ondas, por trás, tinham o tamanho que eu gostaria que tivesse de frente pelo menos para esquentar, mas enfim, perfeito e grande é “de boa”! Desembarcamos na ilha e seguimos pro surf camp, que fica em frente à onda de Cokes.

Água cristalina, ondas enormes entrando na bancada de Cokes, e a cada 20 minutos uma prancha quebrada aparecia na areia. Mas logo saberia que o Caio e o João tinham razão! Arrumamos as pranchas, João me emprestou sua prancha predileta (que amigo!) e pegamos um barco para uma das direitas perfeitas da ilha. Cansados da viagem, o surf não rendeu muito, mas deu para sentir o potencial.

A onda é tão perfeita que faz esquecer que está grande, e depois da primeira vaca, tudo fica mais tranquilo. O swell só aumentava e boatos de que surfistas do WSL estavam chegando para o swell não paravam de rolar. Avistamos um barco encostando com uma bandeira de uma marca grande de surf e já arregalamos os olhos para ver quem estava por vir.

Chegava Sally Fitzgibbons, e logo teríamos o prazer de surfar com uma top 5 do circuito mundial, e realmente foi um show de surf.

O primeiro encontro com a top foi no pico de Jails, onde ela surfava 8 pés de onda com um estilo e fluidez de se admirar muito, e sempre com um sorriso no rosto. Mas, nesse dia, tive a certeza de que perrengue todo mundo passa, do mais iniciante aos Tops! As séries varriam todos, a cada 30 minutos de surf se conseguia ver um lineup totalmente vazio e pelo menos uma prancha indo embora.

A energia do lugar é inexplicável. Em meio a golfinhos, raias, peixes voadores e muito atum, todos são iguais, (ou igualmente tensos esperando a série), todos buscando a sua onda perfeita. Certamente voltarei mais vezes, e terei mais histórias pra contar.

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