Abrindo o jogo

Confira entrevista exclusiva com o atleta baiano Bino Lopes


O baiano Bino Lopes vem tentando seu acesso à elite do surfe mundial há alguns anos e mostra evolução a cada ano, com resultados expressivos. Em 2017, teve duas oportunidades de competir contra os melhores surfistas do mundo nas etapas do CT, em Saquarema e Cloudbreak. Na entrevista abaixo, o local da Praia do Forte conta como foi o ano de 2017 nas competições pelo mundo e suas expectativas para o ano que se inicia.

SurfBahia - Você finalizou no 28° lugar no ranking do QS. Não foi um resultado ruim, mas diferente do ano passado, quando você chegou ao Hawaii com chances reais de classificação para a elite. Como você avalia seu ano no Tour?

Bino Lopes - O ano de 2017 foi muito importante para mim, acho que consegui ir bem. Foi um ano onde amadureci bastante, como pessoa e nas competições. Em alguns momentos me senti pressionado por ter ficado tão perto da classificação e por ser suplente do CT. Ser suplente era uma posição onde realmente eu não queria estar, mas, mesmo diante desse contexto, acho que 2016 e 2017 foram muito bons para mim!

SB - Você teve duas oportunidades de competir no CT em 2017, uma no Rio, outra em Fiji. Como foram essas experiências?

BL - Foram incríveis. Competir entre os melhores do planeta é um sonho para qualquer competidor. Eu só queria ter tido tempo para me preparar como os outros atletas tiveram. Em ambos os eventos, fiquei sabendo que iria correr um dia antes. No Rio, recebi uma ligação da WSL um dia antes, às 19:00, sendo que o evento começaria no dia seguinte, às 7:30. Cheguei direto para a minha bateria, atrasado, pois o voo que tinha saído de Salvador só chegava ao Rio às 2:30 da manhã. Em Fiji foi incrível, sem dúvida um dos lugares mais lindos em que já estive, e a onda, embora muito dificil de surfar, é alucinante!

SB - Algumas pessoas questionaram sua performance em Fiji. Como você recebe essas críticas e como você avalia sua participação em Cloudbreak?

BL - Eu tive em Fiji uma experiência única e serviu demais para amadurecer. Em relação às críticas, eu acho que estou em uma posição sujeito a elas. Faz parte e tento tirar proveito disso tudo. As pessoas que me criticaram em Fiji fizeram por não entender o que é ser um surfista profissional. Talvez eu fizesse o mesmo se estivesse no lugar delas. Eu havia acabado de chegar do Japão (QS), e no mesmo dia em que pousei em Salvador recebi uma ligação da WSL dizendo que sobraria uma vaga em Fiji. Então, sem descanso algum, refiz minha mala e voltei para o outro lado do mundo em menos de 24 horas. Cheguei de tarde em Fiji e no dia seguinte competi em um mar de 8 a 10 pés onde nunca tinha surfado. Passar de um de mar de 2 pés para um mar de 8 a 10 não é tão fácil assim, ainda mais se você nunca surfou antes no pico. Bom, acho que um atleta precisa de um tempo mínimo para descansar e treinar, infelizmente nos dois eventos do CT que disputei não tive esse tempo, porém extraí muita coisa boa dessas experiências, então está show!

SB - Este ano, tivemos a classificação de Willian Cardoso e Tomas Hermes para a elite, depois de anos na batalha do QS. Esses exemplos te inspiram? Como você trabalha o psicológico para enfrentar essa pressão de competir por resultados e entrar na elite?

BL - Willian e Tomas  são guerreiros e exemplos como esses me inspiram bastante. Torço para que eles arrebentem na elite. Estou me sentindo cada vez nais tranquilo, ou seja, com menos pressão. Sei que os resultados virão para mim no momento em que estiver mais relaxado, então, estou procurando trabalhar dessa forma.

SB - Competindo pelo mundo, você passa muito tempo longe de casa e enfrenta uma rotina de voos, hoteis, muitas etapas em ondas ruins... Como fazer para manter a motivação em alta para enfrentar essas adversidades?

BL - Essa parte é bem difícil, pois no surf competição você perde muito mais do que ganha, e lidar com isso é bem dificil. Quando você trabalha muito e os resultados não aparecem, é complicado, mas em algum momento a maré vira a seu favor e é preciso estar preparado para aproveitar. Acho que é importante você selecionar as pessoas certas para viajar, o que comer e onde ficar, pois isso irá fazer você se sentir em casa, saudável mentalmente e fisicamente.

SB - O Hawaii parece ser um desafio na sua carreira e você vem mostrando evolução a cada ano, como em Sunset, onde você parou nas quartas e fez boas baterias. Quais são as maiores dificuldades dos eventos no North Shore?

BL - Hawaii é um lugar especial, que tem ondas especiais. Aos poucos venho melhorando minha performance lá, pois cada vez me sinto mais confortável. Acho que ainda irei ter bons resultados naquelas ondas.

SB - Como foi a vitória em casa na última etapa do Baiano Profissional?

BL - Foi demais, um fim de semana especial, onde pude mais uma vez competir em frente de casa, em frente a meus amigos e familia, me senti privilegiado. Foi muito gratificante ver que a molecada das categorias amadoras que se amarra em mim. Me sinto muito honrado. Espero que um dia se invista no surfe e em outros esportes da forma que deveria ser aqui no estado. Existem muitos atletas bons em diversas modalidades. Fico um pouco triste em ver que isso é pouco explorado, pouco reconhecido. Na minha opinião, a Bahia tem o litoral mais bonito do mundo, com ondas de qualidade e surfistas com muito potencial.. Com o investimento certo, o estado tem tudo pra fazer de seus garotos futuros campeões!

SB - Qual a expectativa para 2018 e como você vai se preparar para a maratona de eventos?

BL - Minha expectativa é conseguir dar meu melhor em cada etapa, estar cada vez mais consciente de meus atos nas baterias e aproveitar cada momento.

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