Tempestade brasileira

Nosso colunista Lalo Giudice comenta a vitória de Filipe Toledo em J-Bay


Filipe Toledo é bicampeão em J-Bay e líder do ranking. Foto: WSL


No frio de Bells Beach deu Ítalo Ferreira, no Rio foi Toledo campeão, em Bali de novo Ítalo, Cardoso em Uluwatu e em J-Bay Filipe que reinou e a gringalhada tá no chão, Brazilian Storm meu irmão!

Em clima de Copa do Mundo, onde as atenções estão todas voltadas para o maior evento esportivo do mundo, conseguimos por ininterruptos quatro dias, torcer para nossa “outra seleção” e poder comemorar pela quinta vez no ano, em seis etapas finalizadas, mais um titulo brazuca.

E novamente não teve pra ninguém. Favorito absoluto da etapa, o ubatubense Filipe Toledo ganhou a sexta etapa do Circuito Mundial de Surf profissional, o J-Bay Corona Open, encerrada nas selvagens e perfeitas direitas de Jeffrey´s Bay, na África do Sul. Com este resultado, Toledo pega novamente a lycra amarela oferecida ao líder do ranking. Já são duas vitórias nesta temporada e sete no total, além de nunca ter perdido uma final em toda carreira.

Com uma velocidade fora de série, além de muita projeção em seus movimentos, Filipinho, que competiu desta vez sem a presença de sua família, começou o dia decisivo batendo seu maior rival e conterrâneo, Gabriel Medina, nas quartas, o japonês Kanoa Igarashi na semi e novamente, repetindo a final da etapa brasileira na Barrinha, o power australiano Wade Carmichael.

Com mais essa vitória, Toledo dispara na liderança e segue com grandes chances do inédito titulo mundial. Para que isso se torne realidade, nosso prodígio terá um grande desafio pela frente, principalmente na próxima parada do Tour, o Billabong Pro Tahiti, nas pesadas e tubulares ondas do Teahupoo, onde ano passado, o mesmo não passou nenhuma bateria, assim como as três últimas etapas da temporada de 2017, acumulando três 25º seguidos. Tambem não é de agora que Toledo consegue o feito de duas vitórias no mesmo ano. Ano passado, também ganhou dois eventos, e em 2015 chegou a vencer três campeonatos na temporada. Muito mais maduro, aparentemente com quadris e pernas mais fortes, como já falamos em outras ocasiões, Filipinho tem tudo para abocanhar o tão sonhado título deste ano. Para que isso ocorra, terá de provar para ele mesmo e para o mundo que esta apto a ganhar em ondas de consequência.

O fenômeno paulista, Gabriel Medina, com a quinta colocação em J-Bay, já é o 3º do ranking e vai com tudo para próxima etapa, o Billabong Pro Tahiti, onde é,sem dúvidas o franco favorito. Gabriel, que nos últimos três anos foi decisivo nas cinco últimas etapas do ano, ainda tem grandes chances do titulo mundial desse ano. Mesmo não vencendo ainda nenhum evento, vem muito mais constante do que nos anos anteriores, além de muito domínio em ondas de consequência. Sendo o único goofy nas quartas em J-Bay, Medina surfou de igual para igual com Toledo, porém mais uma vez, como vem sendo uma constância neste ano, escolheu muito mal as ondas, se precipitando em algumas ocasiões decisivas na bateria. Continua sendo pra mim o surfista mais completo do mundo e com reais chances de levar o bicampeonato mundial de surf em 2018.

Adriano de Souza, com mais um 9º no ano, sobe algumas posições, assumindo agora a 16º posição no ranking, ficando um pouco mais tranquilo da “zona da degola”. O restante dos brasileiros não foram bem na perna africana, principalmente Ítalo Ferreira, que tinha tudo para conseguir mais um bom resultado, porém sucumbiu ainda no Round 2, diante do potente convidado Wiggoly Dantas.

Após a sexta etapa do Circuito Mundial, com metade do ano já pra conta, podemos fazer algumas reflexões do que aconteceu neste ano no CT.

Continuamos dominando o surf, tanto no CT quanto no QS. Na elite com Filipinho e na divisão de acesso com Peterson Crisanto, que acabou de vencer o primeiro evento do ano com pontuação máxima nesta divisão.

A temporada de 2018 está sendo a mais acirrada de todos os tempos, tanto na parte de cima da tabela, quanto na corrida pelo titulo simbólico de Rookie of the Year, com Wade Carmichael, Willian Cardoso, Mikey Wright, Griffin Colapinto e Michael Rodrigues.

Depois de quase 28 anos na elite do surf mundial ( houveram 3 anos sabáticos – entre 1999 e 2001 ) o Pelé do surf mundial, o mito Kelly Slater, finalmente decidiu que se aposentará em 2019. Com 46 anos, Slater é considerado por muitos um dos maiores esportistas de todos os tempos.

Um fato marcante em 2018 é a manutenção do australiano Mikey Wright entre os tops do CT. Entrou sem uma regra definida e pelo que parece, permanecerá entre os 32 melhores do mundo. Uma vergonha para a entidade e uma tremenda falta de respeito com os atletas da divisão de acesso.

A partir de agora teremos de assistir as transmissões do CT pelo Facebook. “FF” (Facebook Fiasco), foi a denominação feita por alguns jornalistas sobre a estreia da transmissão por esse canal. Muitas falhas de sinal, interrupções múltiplas, além de um número muito pequeno de visualizações em momentos de pico, 13 mil views apenas para aproximadamente mais de 6 milhoes de seguidores da página da entidade no Facebook.

Que venha o Tahiti, os Estados Unidos, França, Portugal e Hawaii! Mas amanhã é Belgica e com a transmissão perfeita!

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