6/5/2008 13:14:48 - Última atualização: 8/5/2008 09:50:20

Ameaça ambiental

Roberto Vámos, presidente da Surfrider Foundation Brasil, combate projeto Porto Sul


Por Roberto Vámos

Visual paradisíaco no litoral norte ilheense está com os dias contados. Foto: Fábio Tihara.

Um grande crime ambiental está prestes a ser cometido no litoral baiano, sem divulgação, sem alarde.  O governo baiano anunciou, no início deste ano, a construção de um porto internacional para escoamento de minério de ferro e um novo aeroporto no litoral entre Ilhéus e Itacaré – em plena Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa Encantada. 

Essa região foi objeto de um estudo do New York Botanical Gardens e do Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) que ali encontraram a floresta com maior biodiversidade do mundo – mais de 450 espécies arbóreas por hectare! 

Além de árvores, a região hospeda muitas espécies ameaçadas de extinção, como o macaco prego de peito amarelo (Cebus xanthosternos), mutum do nordeste (Mitu mitu mitu) e a preguiça de coleira (Bradypus torquatus).

Agora, querem construir lá uma ferrovia, minérioduto, retroporto e aeroporto. O receio dos ambientalistas é de que as áreas protegidas e a economia do turismo sejam comprometidas irreversivelmente pela nova lógica de povoamento da costa – o que inclui imensa área de beneficiamento de minério de ferro, similar ao que ocorre na Grande Vitória, propagando fuligem mineral em um raio de 30 quilômetros.

O mais grave: sem estudo de impactos ambiental, o governo decretou como utilidade pública área de 1780 hectares para minerioduto e retroporto. O aeroporto consumiria mais 700 hectares em plena Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada, sobre remanescentes florestais e ao lado de povoados de pescadores artesanais, a exemplo Areias, Juerana e Ponta da Tulha.

Denominado Porto Sul, o projeto contempla recursos de R$ 4 bilhões e, segundo o anúncio oficial, envolve aeroporto internacional, ferrovia Oeste Leste, minérioduto, retroporto, e uma nova zona industrial. O concreto agora é o escoamento do minério de ferro de Caetité para a China. A cidade, mais conhecida na Bahia pela produção de urânio, estaria sendo conectada a Ilhéus através de parceria público privada com a Bahia Mineração Ltda.

O Diário Oficial do dia 19 de março anunciou a abertura de 10 mil empregos. Em 4 de janeiro, o governo criou um GT entre as secretarias do governo para gerar um estudo preliminar, capaz de selecionar áreas potenciais para a construção do porto.

A primeira apresentação dos estudos, há um mês, indicou que a melhor área fica a 20 quilômetros da cidade de Ilhéus, ao lado de uma imensa lagoa natural, conhecida como Lagoa Encantada. O mirante de Serra Grande seria impactado pela nova imagem, com um porto em alto mar e grandes navios ao seu lado.

Este projeto é um absurdo! Tudo foi feito na surdina e impactará uma das regiões mais bonitas do Brasil, sem falar do fato que a Mata Atlântica do Sul da Bahia é um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo. 

Será que o desenvolvimento vale tanto? Será que nada mais é sagrado? Será que gerações futuras não podem receber de nós áreas preservadas, intactas? Será que tudo deve ser permitido em nome do “desenvolvimento econômico”?

Para protestar contra o absurdo, envie uma mensagem ao governo baiano pelo link www.governador.ba.gov.br/?pg=contato.

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