14/3/2008 11:37:31 - Última atualização: 14/3/2008 20:06:43

Visita ilustre

Antes de vencer o Maresia Brasileiro em Stella Maris, Filipe Toledo fez bonito no Bahia Surf Camp


Por Beto Dias

Filipe Toledo encanta galera no litoral norte baiano. Foto: Bahiasurfcamp.com. 

Antes de vencer o Maresia Brasileiro de Surf em Stella Maris, o paulista Filipe Toledo foi recepcionado por Beto Dias no Bahiasurfcamp, situado em Busca Vida.

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O garoto deixou os hospedes gringos de cabelo em pé com seu surf veloz e repleto de manobras ultramodernas.

Aos 12 anos, Toledo viajou sozinho de Ubatuba (SP), de ônibus, à meia-noite do dia 21/2, para São José dos Campos. Pegou um vôo às 4 horas para o Rio e, depois de uma espera de três horas, outro vôo para Salvador.

Chegou ao aeroporto com duas mochilas, uma capa com quatro pranchas e mais uma garota da companhia aérea que o acompanhava.

Toledo à vontade em Busca Vida. Foto: Bahiasurfcamp.com. 

Depois de mais de 15 anos sem ver o seu pai, Ricardinho Toledo, que conheci em 1991, quando a Fluir fez uma matéria na Bahia, vi na cara do moleque a figura do pai, só que em miniatura. 

Fiquei assombrado ao saber que seu primeiro filho, Matheus (que carreguei no colo) já tem 17 anos e foi campeão profissional de Ubatuba em 2007, e esse, de apenas 12, estava vindo pra Bahia sozinho pra competir. Como as coisas evoluem!

Com uma tranqüilidade incrível, Filipe destruiu as ondas durante o campeonato da Rip Curl. Antes de ganhar o Brasileiro, quando o mar estava quase flat, fomos direto para a saída do Rio Jacuipe.

Encontramos uma vala de meio metro na qual o moleque saia voando de tudo que era lado. Na beira da praia, juntou uma galera local que nunca tinha visto manobras como aquelas. Os comentários eram os mais engraçados: “o moleque broca, veio”, “o que é isso??”, “ele não cai?!!”, ”veio de onde esse menino?”.

Beto Dias amarradão com a visita do talentoso Filipe Toledo. Foto: Bahiasurfcamp.com. 

Na quarta-feira, o mar começou a subir e a vala de frente ao pico de Busca Vida começou a funcionar. Não diferente, o moleque aquecia seus foguetes 5’3 e 5’5 executando um repertorio extenso de manobras sempre fluidas, com um surf de gente grande.

Em sua rotina, Filipe dormia às 7 da noite e acordava às 6 para dar sua primeira caída. Quando voltava pra tomar o café da manha, as três suíças e dois espanhóis que estavam hospedados no surfcamp ficavam orgulhosos em tirar fotos com o moleque e afirmavam que ele seria muito famoso no futuro e que as fotos valeriam muito dinheiro. Comentários desse tipo já fazem parte da rotina do menino.

Na sua partida de volta pra casa, levou o caneco do Brasileiro e mais uma prancha espremida em sua capa. Com a simplicidade de sempre, falou “valeu a força, Beto, até mais!”. Virou e foi embarcar no vôo como um adulto qualquer.

Parabéns, Ricardinho e Mari, o moleque está dando exemplo.    

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