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Renata Tambon inaugura blog no Portal Esportivo. Foto: Arquivo pessoal. |
Além de interagir com os internautas em seu primeiro texto, a atleta de 18 anos concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Tiago Bittencourt.
Tiago: Vamos começar por umas das mais importantes perguntas. Esta é uma entrevista séria e todos os leitores gostariam de saber disso. Renata Tambon, você tem namorado?
Renata: Tenho.
Tiago: Que decepção para os internautas.
Renata: (risos).
Tiago: Como foi que você começou a praticar o surfe?
Renata: Eu comecei a surfar aos 12 anos, num verão. Tem uma escolinha que fica aqui em Villas do Atlântico que é muito legal. Tem uma área muito boa para os pais olharem os alunos surfando. Isso me fez chegar mais ao surfe. Comecei a fazer aula, depois, no inverno, continuei surfando sozinha e com meu irmão, no dia em que ele vinha. E eu tô aí até hoje.
Tiago: E por que o surfe, e não o bodyboard ou o longboard?
Renata: Porque aqui em Villas tem uma escolinha de pranchinha. Bodyboard não tem muito. Eu comecei no long, na verdade, só que na primeira aula eu já consegui ficar de pé. Quando você tá na escolinha, a prancha começa a diminuir, do long pra pranchinha. Foi muito rápida essa minha troca. Na terceira aula eu já comecei com as pranchinhas, fiquei surfando dois anos e aí comecei a competir em todos os campeonatos que tinha aqui na Bahia.
Tiago: Qual a diferença do surfe pro longboard? É só o tamanho da prancha?
Renata: Não. O longboard é mais linha, você não tem muita radicalidade. Já na pranchinha, você tem mais radicalidade. Então, o longboard é um surfe mais calmo, mais de linha mesmo. Você não sabe fazer muitas manobras com ele. É um surfe mais fácil, na verdade.
Tiago: E na sua família... Tem o irmão, né?
Renata: Eu tenho irmão que surfa e joga futebol. Ele foi pra Europa pra jogar futebol.
Tiago: Qual o nome dele?
Renata: Felipe Tambon. Como a gente conseguiu a cidadania francesa, ele começou a estudar e preferiu largar o futebol, mas o surfe é a única coisa que ele não larga. Sempre que ele está lá, ele surfa, e aqui também.
Tiago: Você estava contando uma história aqui, que você participou do Cartão Verde, da TVE. Bobô perguntou qual seu time e você falou que era Colo-Colo. Você é de Ilhéus, torce pro Colo-Colo mesmo?
Renata: Na verdade, meu namorado é de Ilhéus. Eu falei isso porque o Bahia tava mal, o Vitória tava mal... O Colo-Colo tinha sido campeão baiano havia uma semana. Aí, o primeiro nome que veio à cabeça... "Qual é seu time?". Eu: "Colo-Colo!" (risos). Ele ficou impressionado.
Tiago: Voltando ao assunto, você começou com 12 anos, né? Como é que a galera do surfe encara o pessoal que está começando, principalmente sendo mulher? Como é que eles recebem as pessoas?
(modo inverídico on)
Momento muito triste, em que Renata vai às lágrimas falando do preconceito.
(modo inverídico off)
Renata: No começo, há muito tempo, teve bastante preconceito, em todos os esportes, futebol, tênis... Só que hoje em dia não tem mais preconceito com meninas. Eles até gostam, apóiam, ficam brincando, ficam conversando. Muitos aqui me apóiam, perguntam sobre minhas viagens, meus resultados, me dão cascudos quando eu perco, me dão parabéns quando eu ganho. Fica uma coisa muito monótona só homem dentro da água. As meninas vêm, ficam perturbando dendágua (Renata deu uma demonstração que é baiana da gema ao pronunciar a expressão "dendágua" que, para os estrangeiros que não conhecem, significa "dentro da água"). Eles ficam ensinando as meninas a surfar, as namoradas. É bem legal.
Tiago: Como é o clima aqui? Rola muita paquera?
Renata: Tem. Eles gostam de ficar atrás vendo a gente furando onda (risos).
Tiago: O que é "furar onda"?
Renata: É passar por debaixo da onda. As meninas vão de biquíni, né? A maioria, quando tá começando, vai de biquíni. Eu prefiro não usar muito porque às vezes pode cair.
Tiago: Você conheceu seu namorado na praia?
Renata: Conheci na praia. Teve um campeonato de surfe lá no Ceará, e aí a gente disputa pela Federação Baiana (FBS). A gente sempre viaja junto, começou a viajar junto, começou se conhecendo, um torcendo pelo outro, e aí começou a rolar.
Tiago: Ele ainda compete?
Renata: Ele compete. Ele ia entrar no SuperSurf, que é o campeonato brasileiro, que só pode entrar quem tem ranking. Ele corre Mundial. É um bom surfista.
Tiago: Qual o nome dele?
Renata: Franklin Serpa.
Tiago: A gente falou de homem e de mulher, qual é a proporção hoje? De 100, quantos homens e quantas mulheres?
Renata: Ó... De 100, 200 são homens (risos). É muito homem! Todas as competições têm muito mais homens. Mas, está crescendo muito o feminino. Tem muitas marcas novas com produtos femininos. Já evoluiu bastante. Tá até começando a vender mais que os homens, porque as meninas gostam de roupa nova, de estar na moda. Então, eu acho que o surfe feminino tem mais que crescer.
Tiago: Quais as melhores praias da Bahia e do Brasil? Você viaja, você conhece...
Renata: Daqui da Bahia, tem Olivença, que é em Ilhéus, tem Scar Reef, que é considerada onda gringa, entre Guarajuba e Itacimirim...
Tiago: É gringa por quê?
Renata: Porque as ondas são perfeitas. Quando venta de sul, a onda fica maravilhosa, perfeita. E Olivença também, porque tem uma direita animal lá. A onda entra de sul e vai lambendo a praia toda.
Tiago: Pra quem não conhece, explica isso aí. O que é "entrar de direita", "de sul", "lambendo"?
Renata: É porque onda vem de vento. Quando o vento é sul, as ondas são maiores. Quando é nordeste, a onda fica meio balançada. Depende da localização das praias. Depende da bancada, da pedra, do fundo de areia. Depende de muita coisa. Aqui, em Villas, é considerada uma praia muito legal, porque as pedras não mudam muito nas ondas, porque elas são muito no raso. Um pico bom fora, tem São Paulo, Rio de Janeiro. Todos os lugares do Sul são muito bons. Ondas grandes... É bem legal lá.
Tiago: Quais foram os principais torneios que você participou e quais foram seus melhores resultados?
Renata: Meu melhor resultado foi no Chile, que eu fui agora. Fiquei em terceiro lugar no Pan-americano. O Brasileiro também é um campeonato super importante pra mim. Ganhei uma etapa já, terminei em quinto, não fui muito bem esse ano, mesmo com a vitória. Tem o Baiano também. Fui campeã baiana Open e Júnior, quase invicta, só perdi a última etapa. Eu corri o WQS em Itacaré. Vai ter um WQS em Praia do Forte pela primeira vez, porque era muito difícil ter campeonato lá por causa do projeto Tamar, das tartarugas, de preservação. Vai ter uma etapa lá em junho. Vai ser super importante para o surfe da Bahia. Vai crescer bastante com esse Mundial aqui. Vai ter surfistas do mundo inteiro.
Tiago: O que é WQS?
Renata: É a divisão de acesso do surfe mundial. Você tem que correr esse campeonato para correr o campeonato mundial. São 46 etapas, em vários países. Os 26 melhores vão correr outro campeonato, que é o Mundial, que o Kelly Slater foi oito vezes campeão, é o WCT.
Tiago: No seu site, tem lá as palavras "patrocínio" e "apoio", dois pontos e os espaços em branco. Por que ainda é difícil achar empresas que queiram vincular a marca ao esporte amador?
Renata: O surfe já tem um bom tempo no mercado, mas ele tá precisando evoluir. Muita gente gosta de futebol, de muitos outros esportes. E também não tá no Pan-americano ainda, porque depende muito do mar. Acho que os empresários podem investir mais. Eles só querem patrocinar o futebol, o vôlei. Falta investimento, faltam empresas que queiram apoiar. Mas, o Governo tá aí pra ajudar, tem o Faz Atleta, que é super interessante o projeto, mas tem que ter a empresa. Tô sem patrocínio, mas espero que consiga este ano...
Tiago: Mas você já conseguiu, em algum momento, alguma empresa para te patrocinar?
Renata: Consegui. Ano retrasado, tive a Papel & Cia, que deu uma força muito grande no projeto do Faz Atleta. Só que no ano passado eu não consegui renovar. Neste ano, eu tô buscando novamente, porque eu preciso de patrocínio. No ano passado, tive muita dificuldade pra viajar, mas teve "paitrocínio" e "mãetrocínio", eles conseguiram me ajudar e deram total apoio.
Tiago: Dá pra viver de surfe?
Renata: Eu ainda sou amadora. Tipo, tem premiações altas, mas não é igual aos outros esportes, como futebol, tênis, que é muito investimento. Mas, dá pra viver, dá pra conciliar, ter uma loja de surfe. Se você fizer faculdade e conseguir ser um bom atleta, dá pra viver.
Tiago: Você já conseguiu ser ressarcida do que você gastou com o surfe?
Renata: Você só começa a ganhar dinheiro depois que vira profissional. Só que se você virar profissional, os campeonatos já são mais caros. Então, eu não tenho patrocínio para poder virar profissional. Eu preciso ter um bom patrocínio agora para poder me destacar e ganhar dinheiro com as premiações.
Tiago: Para quem quer conhecer mais do surfe e saber o que tá rolando, quais são os sites que você recomenda?
Renata: Tem o www.waves.com.br. Você tem na sua casa o canal Woohoo?
Tiago: Acho que não.
Renata: Tem canal fechado na sua casa?
Tiago: É Net (mas eles não me pagaram um puto para pronunciar isso; falta patrocínios também para os entrevistadores internéticos).
Renata: Acho que tem, não sei. Tem o www.woohoo.com.br. São dois sites muito legais. Tem o www.surfbahia.com.br, que é todo tipo de surf que tem - bodyboard, longboard, pranchinha, kite -, tudo ligado à praia tem nesse site. É bem legal também. Só tem coisa da Bahia.
Tiago: Qual é seu cronograma de atividades em 2008? Diga aí as principais competições.
Renata: Eu vou correr quatro etapas do Brasileiro amador. A primeira vai ser aqui em Stella Maris, tô feliz por isso. No ano passado, foi em Olivença, Ilhéus. Vai ser de 29 de fevereiro a 2 de março. Depois vou ter uma no Rio Grande do Sul, duas etapas no Peru, um WQS em Praia do Forte, um WQS em Itacaré, um WQS no Rio de Janeiro. São bastantes etapas neste ano (risos).
Tiago: Seu namorado mora em Ilhéus (o entrevistador pareceu muito interessado nesta questão, mas só pareceu)?
Renata: Mora em Ilhéus.
Tiago: Aí, você consegue conciliar...
Renata: Tipo, ele não me prejudica muito e me ajuda bastante, porque eu consigo surfar mais. Se tivesse um namorado aqui, seria meio chato, ter que ficar com ele e ter que surfar, se ele não surfasse. Ele surfa, o que me agrada bastante, a gente viaja sempre juntos, porque ele corre os mesmos campeonatos que eu, e dá pra eu me dedicar 100% quando ele não tá aqui.
Tiago: E esse convite do Portal Esportivo de você ter um blog, o que você achou disso?
Renata: Tô muito feliz por esse convite. Vou tentar estar sempre atualizando pro pessoal ter matérias interessantes. E acho que vai ser legal pra mim.
Neste momento, Edmilson Gouvêa, chefe maior do Portal Esportivo, invade a entrevista e faz as melhores perguntas.
Edmilson: O que faria uma empresa patrocinar o surfe? Qual atrativo o surfe tem para que uma empresa queira vincular seu nome ao atleta?
Renata: O surfe tem no mundo inteiro. A praia é um lugar maravilhoso, que uma marca pode estar fazendo uma propaganda até com os botes salva-vidas. Em Villas, não tem nenhum salva-vidas, mas se uma marca fizesse uma tendinha pros salva-vidas, com a Prefeitura pagando... Tem várias formas de apresentar a marca na praia, tem muito banhista, turista. A praia é um lugar bem atrativo para as marcas. Então, eles têm que olhar mais esse lado. Até nos campeonatos têm vários patrocinadores de peso. Tem a Nova Schin, que patrocina circuito mundial, tem a Maresia, tem a Billabong. Então, eu acho que se um Bradesco fizesse um circuito legal, patrocinasse uns atletas, montasse uma equipe de surfe... Isso já fazia crescer bastante, tanto a marca quanto o esporte.
Intimou, hein, Bradesco?
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