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André Texeira treinando em D-Bah. Foto: Renata Camara. |
Em fevereiro deste ano, Teixeira deixou o Brasil junto com a esposa Ana e partiu em busca de um novo estilo de vida.
O baiano revela estar bastante satisfeito com a Gold Coast e pretende batalhar pelo visto de residência na Austrália.
Em conversa bastante descontraída, Teixeira conta seus planos e comenta o estilo de vida australiano.
Como tem encarado esta nova fase?
Tem sido uma experiência bem interessante interagir com pessoas de outra cultura, língua diferente, estilo de vida diferente, etc. Os
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André Texeira desfrutando as ondas da Gold Coast. Foto: Renata Camara. |
No momento estou com dois trampos, entrego pizza na segunda e terça em Surfers Paradise e redondezas, quarta tenho uma folga e o restante da semana trabalho num restaurante localizando em Kingscliff, estado de New South Whales. Minha função é recolher pratos , copos e limpar as mesas e o chão. Trabalho em média quatro a cinco horas por dia, das 5 da tarde às 11 da noite, e aí tenho o dia livre para surfar.
E o surf?
Esta é a parte boa. Como não preciso estudar (estou como dependente no visto de minha esposa Ana), posso treinar o dia inteiro, pois só trampo à noite. A qualidade das ondas é impressionante, tenho surfado ondas que variam de meio a 2,5 metros em picos alucinantes, a maioria point break para a direita
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Texeira curte nova fase de sua vida na Austrália Foto: Renata Camara. |
Ao contrário de Salvador, aqui o vento ajuda na formação das ondas, pois tem muito vento offshore (terral) e quando a onda chega ao banco de areia ela fica muito tubular. Já perdi a conta de quantos tubos fiz desde que cheguei.
Onde está morando?
Morei os últimos três meses em frente a Kirra. Estava irado, acordava com um visual animal porque o apartamento era no quarto andar. Há algumas semanas mudamos para Bilinga, que fica uma praia antes de Kirra.
E os campeonatos?
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André em mais uma na terra dos cangurus. Foto: Renata Camara. |
No momento sou membro do Surfing Queensland, localizado em Burleigh Heads. Essa entidade realiza o circuito estadual de Queensland, são seis eventos durante o ano com premiação de US$ 5 mil por evento e uma média de 64 atletas.
O nível é altíssimo. Caras como Damon Harvey, Corey Ziems, Shaun Grossman, Luke Dorrington, entre outros que estão correndo WQS, sempre disputam os eventos.
Competi em apenas três etapas; na primeira fui eliminado logo de cara e na segunda, embora tenha perdido no segundo round, fui muito elogiado pela performance na bateria do primeiro round, fazendo um somatório de 15 pontos em 5 minutos de bateria, 8 na primeira onda e um 7 na segunda.
Há algumas semanas fui a Sunshine Coast competir no Queensland Circuit (QCC); fiquei em sétimo lugar e “matei” US$ 133, suficiente para recuperar a inscrição de US$ 80 e mais uma grana de gasolina e rango, sem falar na curtição.
Qual o teu quiver?
Estava com seis pranchas: 5`11 do Stuart, 6`0 DHD, ambas squash; 6`1 Stuart, 6`1 Manuel Leite e outra 6`1 DHD, todas as três round pin; e uma 6`3 DHD.
Mas, infelizmente, depois do swell histórico o quíver ficou desfalcado da 6`0 e 6`3 DHD. O que me deixou tranqüilo foi ter registrado um tubo animal em Kirra e logo na onda seguinte quebrei a prancha. Já estou agilizando mais alguns mísseis.
Quais as diferenças entre as pranchas australianas e brasileiras?
As pranchas australianas funcionam muito melhor nas ondas daqui, os shapers utilizam um concave bem deep, mesclando single com double e, em contrapartida, têm uma curva de rocker bastante acentuada pra deixar a prancha solta na hora das viradas. As pranchas brasileiras costumam ter um concave não muito deep para não deixar a prancha muito dura na troca de bordas, pois as ondas do Brasil são bem quebradas, com raras exceções como Scar Reef, Cacimba do Padre, Serrambi, Lajinha, Saquarema e Joaquina.
Quais os planos para 2008?
Estou planejando ir à Indonésia em abril ou maio. Já comprei uma filmadora e estou fazendo altas imagens. Pretendo correr as etapas do WQS na Austrália e lançar um vídeo futuramente.
Pretende retornar ao Brasil?
Pretendo fazer a vida aqui. A Ana está fazendo o curso de chefe de cozinha, que permite aplicar o visto para residência ao término. Nosso visto vai até agosto de 2009 e depois disso vamos aplicar para residência. Não sei quando vou ao Brasil. Pra falar a verdade, tenho muita vontade de correr o WQS em Noronha, mas só seria possível se estivesse com um “patrô”. Estou com planos de ir a Indo em abril de 2008 e não dá pra fazer os dois, pois tenho que trabalhar bastante pra ajudar minha mulher a pagar o curso.
Deixe um recado para a família e amigos.
Quero agradecer à minha família, que me ajudou bastante para chegar até aqui; minha esposa, que tem me proporcionado esta vida de rei; Manuel Leite, da Dynamic, que me ajudava bastante no Brasil e fez minhas pranchas pra vir à Austrália; DHD e Stuart, que têm feito altas pranchas; Rubber Stick, que também me deu muita força para vir; Gabriel, nosso flatmate (companheiro de casa), que filmou vários dias durante o melhor swell, e Renata, que fez altas fotos.
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