17/3/2008 14:55:22 - Última atualização: 18/3/2008 19:06:30

Postura no outside

Fábio Tihara fala sobre crowd, localismo e respeito no outside


Por Fábio Tihara

Com o crescimento do número de surfistas, aumenta-se a disputa pelas ondas. Foto: Aleko Stergiou / Waves.

O surf é um esporte que vem ganhando muita popularidade nos últimos tempos. Está na televisão aberta - através das novelas e da propaganda - e nos canais fechados, com diversos programas especializados.

O surf está na moda. É fácil perceber esta afirmação, basta ver o crowd na maioria dos picos.

Com o aumento de praticantes, consequentemente aumenta-se a disputa pelas ondas. Essa disputa pode gerar algumas brigas que podem começar de forma verbal e terminar em agressões físicas, e então surge a polêmica questão do localismo.

Sou a favor do localismo, mas não esse localismo ignorante fundamentado na violência. Acredito que uma única palavra resuma essa questão: respeito (respeito mútuo, quero deixar claro).

Rabear a onda de outro surfista gera muitas confusões. Foto: Divulgação O´Neill.

Visitantes e nativos podem, tranqüilamente, dividir o line-up. O respeito é um dos conceitos que fazem parte da educação de um indivíduo e, infelizmente, educação é um problema sério em nosso país.

Geralmente, os surfistas que viajam constantemente e têm contato com outros tipos de culturas, possuem uma maior consciência em relação ao localismo do que o cara que só surfa “naquele” pico.

É justamente nesse intercâmbio, nessa troca de experiências, que está o feeling do surf. Muitos locais não entendem essa relação, não os culpo - como disse, educação é uma questão social, está além do surf, é um problema maior do que uma disputa de ondas.

Em minhas andanças pelo Brasil, observo diversas atitudes desrespeitosas por parte de surfistas visitantes, o que favorece uma atitude truculenta de um local. Isso não justifica a violência, mas faz valer a máxima que diz “respeite para ser respeitado”. Para evitar que se chegue às vias de fato, siga regras básicas:

- Evite chegar em grupos.
- “Quem não é visto, não é lembrado”. Por isso, seja discreto.
- Não reme direto ao pico.
- Não dispute onda; tenha paciência e espere sua vez.
- E o mais importante: não faça volta e não rabeie ninguém. Se rabear, peça desculpa (o que não é vergonha nenhuma, pelo contrário, demonstra respeito)

Para concluir, vou contar um pequeno incidente envolvendo dois amigos, no início da década. Rio de Janeiro, praia do Diabo - meu grande editor-chefe e homem da mídia surf Ader Oliveira, na época um ainda promissor jornalista, se divertia em ondas cariocas quando foi rabeado duas vezes seguidas pelo local marrento, ainda amador, e hoje pai de família e top SuperSurf, Simão Romão.

Pouco tempo depois, em uma etapa do Brasileiro Amador em Ilhéus, foi a vez de Ader cobrar a dura que levou no Rio. Depois da confusão, desavenças esclarecidas e muitas risadas, nasceu uma amizade que dura até hoje e que vai além da relação que ambos têm, devido à profissão que levam.

Agora, fica a dúvida: será que Simão teria procurado confusão se soubesse o dia de amanhã? Creio que não, mas como ninguém é vidente, lembre-se: pense bem antes de comprar uma briga. 

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