1/4/2008 23:07:26 - Última atualização: 4/7/2008 10:16:08

Homem do mar

Kleber Batinga fala da saga do shaper e surfista Maurício Abubakir


Por Kleber Batinga

Maurício Abubakir (ao centro) se prepara para mais uma remada de 20 quilômetros em Salvador (BA). Foto: arquivo pessoal Bruno Pitanga.

Pergunte a Laird Hamilton, Darrick Doerner e Buzzy Kerbox, Garret McNamara e qualquer outro desses big wave riders qual é o segredo para se pegar as big waves havaianas. Eles dirão, em coro: o segredo é muita remada em paddleboards.
 
Todos esses caras, sem exceção alguma, já participaram de competições de travessias de até 56 quilômetros entre ilhas havaianas a bordo de paddleboards.
 
No Hawaii, as competições de paddleboards são comuns. Além dessas travessias, existe todo ano a remada do 4 de julho, ou do Independence Day, que vai de Sunset a Waimea.
 
Super concorrida e freqüentada por todos os grandes big wave riders, velhos lobos do mar, mulheres e crianças também freqüentam, pois o Hawaii é mais do que um lugar de surf, é um lugar do mar e todo mundo é da água.
 

Maurício encara o pesado beach break de Puerto Escondido, México. Foto: Arquivo pessoal Maurício Abubakir.

O baiano Maurício Abubakir sempre foi um pioneiro quando se trata de esportes aquáticos. O cara é um "adiccted and sickness" por tudo que diga respeito ao mar.
 
Desde o início da década de 70, não só era um excelente surfista. Foi campeão baiano, e aí muita gente não sabe, já praticava o mergulho livre e com aparelho, fazia pranchas e gostava de barcos, ou seja, o cara vivia, ainda garoto, como um verdadeiro waterman.
 
Com o passar dos anos, foi morar no Hawaii e surfar as big waves. Para quem não sabe, o cara apavorava nos mergulhos e nas big waves em Waimea com o seu fôlego invejável e remada monstra em Waimea e Sunset gigantes.
 
Muita gente que mergulhava bem, e temos vários casos no Hawaii, às vezes ia até a metade e depois parava a 10, 15 metros para ficar olhando "Maurição" ir a 30 e ficar lá embaixo até voltar com algum peixe grande ou tartaruga - no início dos anos 80, a pesca de tartaruga ainda não era proibida no Brasil. 
 

Abubakir à vontade no Farol de Itapuã. Foto: Rodrigo Alvares.

Depois disso tudo, como não podiam sair em Sunset, pois é proibido pescar tartarugas no Hawaii, iam até Waimea ou Keiki Road, onde morávamos, para poder tirar o bicho do mar.
 
Isso tudo aliado a uma grande coragem, pois os peixes iam largando sangue pelo caminho, o que atraía muitos tubarões. Um desses amigos de mergulho era o Ianzinho, também big wave rider e exímio mergulhador, e o outro era o Bacalhau.
 
Qual o grande segredo, então? "O mesmo segredo dos reis do esporte no Hawaii: remar muito. No começo a galera remava em big guns tipo 12 pés, mas aí veio o paddleboard", diz Maurício Abubakir. 
 

Maurício Abubakir curte a perfeição do Farol de Itapuã. Foto: Eduardo Sorensen.

Precursor e pioneiro do esporte aqui no Brasil, Maurício vem desenvolvendo seus shapes com as técnicas que aprendeu no Hawaii com caras como Charlie Walker, um verdadeiro big wave rider e waterman, um maluco que já entrou em Waimea por Three Tables em um dia com 25 a 30 pés plus de onda em Waimea insano, e Dennis Pang, outro shaper e grande big wave rider convidado do Eddie Aikau que por várias vezes disputou, junto com Mark Foo, o caneco desse big evento.
 
Além de estar promovendo campeonatos de remada, o cara sai remando de Salvador até a ilha de Itaparica - são 12 quilômetros - ou então da praia de Jaguaribe ao Porto da Barra, que chega aproximadamente aos 20 quilômetros de remada.
 
Perguntado sobre qual era o prazer de sair remando que nem um louco por aí, ele, na sua simplicidade de verdadeiro homem do mar, me respondeu em poucas e maiúsculas palavras.
 
“O PRAZER É ESTAR DENTRO D´ÁGUA”!!!

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